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Carvão cede perante energias limpas

A nova era energética inspirou um estudo conjunto da SNV (Organização Holandesa de Desenvolvimento), FUNAE e do Conselho Municipal de Maputo sobre o consumo doméstico. As conclusões apuradas dão quase como certa a substituição do carvão no dia-a-dia das populações por outras opções de energia, como o etanol. Entretanto, os fogões que usam biocombustíveis já começaram a ocupar o seu lugar no mercado por serem mais baratos, menos poluentes e fáceis de usar.

Um pouco por todos os mercados municipais do país, sobretudo no meio urbano, a venda de comida está a tornar-se num dos negócios de eleição das famílias. Ao mesmo tempo, ao carvão não tem faltado uso, independentemente do seu preço de venda. Mas a introdução de energias limpas nos últimos tempos vai, de certeza, extinguir o carvão vegetal da matriz energética de consumo doméstico e comercial das populações.

Uma pesquisa recente sobre a introdução de energias limpas nos mercados municipais de Maputo concluiu que, na capital do país, mais de 70% da população ainda usa carvão para cozinhar. O número é justificado apenas pela falta de alternativas para substituir o carvão, uma vez que a entrada de outras opções energéticas seria suficiente para colocar fim à sua utilização.

Cobrindo 32 dos 40 mercados municipais, bem como 430 comerciantes de alimentos, a pesquisa tinha por objectivo analisar a receptividade dos vendedores de alimentos às alternativas ao uso de carvão, e foi conduzida pela SNV (Organização Holandesa de Desenvolvimento), o Conselho Municipal de Maputo e o Fundo Nacional de Energia (FUNAE), com a participação da empresa Clean Star, que comercializa o fogão Ndzilo.

No mesmo estudo, um projecto-piloto realizado em 18 estabelecimentos que vendem refeições quentes nos mercados de Museu, Xipamanine e Malhazine, comparou a viabilidade do uso do carvão com a do fogão Ndzilo que usa etanol sob o ponto de vista dos custos, entre demais factores, e os resultados são interessantes.

Carvão vs. etanol

Nos mercados municipais, estima-se que haja dois mil estabelecimentos de preparação de refeições. Quem usa o carvão vegetal gasta em média 3 mil meticais por mês e 96% usam carvão para preparar as refeições. Por outro lado, cada comerciante consome em média 10.5 kg de carvão por dia e muitos deixam os fogões de carvão acesos, diariamente, durante 8 horas para poderem aquecer a comida.

A estes aspectos sobrepõem-se os impactos negativos na saúde. Uma fatia de 85% da amostra cozinha em espaços fechados com pouca ventilação; 49% das pessoas sofrem de irritações persistentes nos olhos (muitas vezes relacionadas com o uso de fogões que emitem muita fumaça como o carvão); 49% tem ocorrências frequentes de dores de cabeça (podem ser associadas às emissões de carbono de monóxido no uso de carvão); 35% sofrem de problemas respiratórios; e muitos ainda não sabem que estes sintomas são criados devido ao uso extensivo do carvão. Poucos têm noção dos problemas ambientais associados à produção e ao uso do carvão.

Além disso, entre 2008 e 2013, os preços do carvão atingiram mais de 250% de aumento, chegando, recentemente em época de chuvas, aos 1.000 meticais por saco. Apesar disso, foram consumidos, em 2011, três milhões de sacos de carvão na cidade de Maputo, e mais de 15 milhões no País.

Por outro lado, ao usar etanol, cada vendedor consome uma média entre dois a três litros por dia a um custo de cerca de 100 meticais ou a 2.600 meticais mensais, considerando seis dias semanais de trabalho.

Mas os vendedores já não precisam de manter os fogões de carvão acesos durante oito horas consecutivas, uma vez que podem rapidamente ligar os fogões de etanol para aquecer a comida. No fundo, e com esta alternativa, os vendedores acabam economizando 400 meticais todos os meses quando comparado com as despesas feitas na aquisição de carvão.

Ou seja, “no fim é mais económico, mais rápido, mais limpo e melhor para a saúde e o ambiente comparado com o carvão”, sentencia o estudo.

Disponibilidade de energias renováveis

Entretanto, o país está em fase inicial de produção de biocombustíveis, e o etanol é produzido apenas em Dondo, na província de Sofala, através da mandioca fornecida por pequenos agricultores que beneficiam de um novo mercado para a sua cultura em excesso. O combustível é 100% energia renovável, e já se encontra à venda em Maputo, estando acessível em vários bairros da cidade.

O fogão Ndzilo (que usa aquela energia alternativa) é comercializado no mercado por 1.100 meticais, enquanto o preço do combustível é de 195 meticais por 5 litros, que dura mais ou menos uma semana.

Outras soluções de energia poderiam ser integradas, mas as empresas que detêm o mercado do gás, por exemplo, ainda não facilitam a compra às famílias de baixa renda. O exemplo são as garrafas menores de 5kg, uma prática comum em alguns países como a Tanzânia, Quénia, Zimbabwe, Nigéria, entre outros.

Área energética e oportunidade de negócios

E porque as deficiências geram oportunidades, tudo o que o mercado anseia é o interesse que o sector energético possa despertar aos investidores, no sentido de trazerem opções de uso doméstico mais viáveis.

Assim, “espera-se que novos modelos de fogões eficientes sejam produzidos em Moçambique e comercializados para atender à demanda nacional”, anseiam os autores da pesquisa.

“Nesse sentido, está-se a trabalhar na promoção de fontes alternativas de energia, tais como o próprio etanol e os briquetes”. De acordo com o chefe do Programa de Energia da SNV, o economista sénior Federico Vignati, “nunca houve melhores condições para o sucesso dos empreendedores moçambicanos com interesse pela área da energia”.

Enquanto o mercado se habitua ao programa de fogões de carvão eficientes em Maputo, levado a cabo pela SNV, o FUNAE e o Conselho Municipal de Maputo, já está prevista uma visita da equipa do Conselho Municipal de Maputo a unidades de produção dos novos fogões Mbaula em Zavala, na província de Inhambane.

Dados

Utilização do carvão na cidade de Maputo: 240 mil famílias (85%)

Gasto médio mensal de energia por famíla: 700 mil Mt

Consumo do carvão em 2011: 3 milhões de sacos em Maputo e mais de 15 milhões no país

Subida do preço do carvão entre 2011 e 2012: 200% para mais de 1000 Mt

Fogões eficientes a carvão: 40%

Fogões eficientes a gás: 25%

Fogões eléctricos eficientes: 20%

Preço do etanol: 195 Mt/5litros

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This entry was posted on 9 de Agosto de 2013 by in Moçambique.

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