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Empresa a todo o gás

A Autogás, empresa que está a implementar o projecto de utilização de gás natural nos transportes desde 2008, está numa fase de expansão que engloba a abertura de mais postos de abastecimento. O seu presidente, João das Neves, faz uma explanação sobre o projecto e garante que o desafio é atingir 10% da cota do mercado, em 10 anos.

Como avalia a adesão ao gás natural como combustível alternativo?

A adesão é inequivocamente positiva. Os moçambicanos já acreditam que afinal de contas o Gás Natural é uma solução alternativa e muito mais barata. Temos, por exemplo, a empresa Transportes Lalgy que já converteram dez carros (Turismo), ainda não entraram na conversão dos camiões mas os carros administrativos, dos funcionários e de funcionamento da empresa foram convertidos. E afirmaram inclusive que tem uma poupança nos combustíveis na ordem dos 67%, o que é muito significativo, sendo grandes conhecedores da gestão de frotas e do impacto dessa poupança na gestão de muitas viaturas.

A nossa experiencia mostra que a fraca aderência está relacionada com quatro factores, nomeadamente a resistência á mudança, falta de informação, os que querem ver para acreditar e a existência de poucos postos de abastecimento.

O Gás Natural nunca será uma solução de substituição de outros combustíveis a 100%. Temos consciência disso e o nosso desafio é termos daqui há 10 anos uma quota de 10% do mercado, o que significa que nesse período o Estado poupará 500 milhões de dólares pela substituição dos combustíveis. Isso tem um impacto positivo na economia do país e nós achamos que é expressivo. Os outros 90% vão ter que continuar a usar gasolina e diesel.

Quem mais adere, empresas ou individuais?

Temos muitas empresas que já aderiram, como “O Peixe da Mamã” que está a distribuir os seus produtos com uma frota carros movidos á gás, e a empresa Mozambique Distribuition Service – MDS que também faz um trabalho do género, e existem várias outras pequenas empresas.

E relativamente aos chapas?

Esse é um grande desafio que o país tem. Os transportes semi-colectivos são um problema que não vai ser só resolvido com as acções da Autogás. Sem dúvida nenhuma que a Autogás e o Gás Natural foram aprovados como uma boa alternativa para ajudar a reduzir os custos de operação. Temos cerca de 2.500 chapas a circularem que estão totalmente descapitalizados e tem uma frota obsoleta com carros que tem cerca de 20 anos ou mais entretanto os donos não tem capacidade para fazer a manutenção, muito menos para substitui-los. O que acontece é que continuam a operar no regime do desenrasca e quando tem alguma capacidade fazem a conversão para o Gás Natural e vêem alguma diferença.

Há que fazer-se um trabalho mais sério no sentido de resolver esse problema dos transportes públicos de uma forma global. A solução passa necessariamente pela importação de viaturas novas á gás subsidiadas pelo Estado e novos autocarros para os Municípios de Maputo e Matola também a gás, havendo uma linha de subsídio, ou seja, um incentivo para os Minibus (Chapas) em segunda mão, em bom estado, que possam ser importados em grandes quantidades e ser convertidas antes de entrarem em circulação. Posteriormente poderá fazer-se a remoção gradual das viaturas que estão em estado obsoleto e permitir o melhoramento do nível da frota.

Temos projectos concretos sobre esse assunto e temos estado a falar á nível das Associações de Transportes, A CTA, Ministério dos Transportes entre outras entidades. Ainda há desafios que acredito que poderão ser ultrapassados este ano. Já há 250 chapas a circularem a gás mas sentimos que neste momento os chapas não tem capacidade de por si só aderirem a este sistema.

Que vantagens tem o uso do gás natural como combustível?

Os carros movidos a gás, praticamente só têm vantagens: Não deitam fumo, sendo por isso menos tóxico para o meio ambiente o que significa que menos doenças respiratórias.

Tem também a questão de o Gás Natural ser moçambicano, e qualquer patriota que preza o seu país, entende que se o país passa o usar o que é seu, em detrimento de produtos importados, sai em vantagem. Isto significa poupança para o Governo pois não paga divisas para importar combustíveis e não tem que subsidiar. Isto tem um impacto positivo para as contas do estado.

O Relatório do Plano Social Económico de 2010/2011 indica que os subsídios que o Governo já pagou para os combustíveis foram acima dos 150 milhões de dólares.

Por outro lado, temos a componente do custo do próprio gás, ou seja, quem adopta o sistema de gás natural passa a gastar muito menos e essa poupança pode atingir cerca de 60%. Portanto, são inúmeras as vantagens.

Existem no mundo mais de 16 milhões de carros movidos a gás e pelo menos seis países têm mais de um milhão de carros a funcionar a gás. Moçambique possui neste momento uma frota total de 500 mil carros, ou seja, há países que neste momento tem pelo menos o dobro de toda a frota do país inteiro a funcionar a gás: Paquistão, Irão, Argentina, Bolívia entre outros.

O que pode dizer no que concerne á expansão do sistema?

Existem constrangimentos para a expansão, que tem a ver com os riscos de retorno. Neste momento, a capacidade instalada é superior ao número de viaturas que ainda está a circular. Portanto abrir novos postos significa criar condições de novos mercados para mais carros movidos a gás que terão de ser convertidos ou importados.

Estamos a abrir três postos agora e mais tarde abriremos mais dois, totalizando sete, mesmo não tendo garantia de que haverá mercado para tal. Acreditamos que o mercado vai crescer. Entretanto é preciso adiantar com mais postos e isto tem que ser por etapas porque não podemos de uma vez só investir em grandes infraestruturas.

Há quem diga que não faz a conversão porque quando fazem longas viagens não existem postos de abastecimento ao longo dos percursos. Que comentário faz a este respeito?

Não é bem assim. Muitas vezes, a solução desse tipo de desafios passa por contratos. Se a empresa ou pessoa faz grandes consumos e passa por necessidades, pode-se firmar um contrato no sentido de colocarmos postos de abastecimento ao longo dos percursos e eles garantirem que irão converter os seus carros para o sistema de Gás Natural. Só assim podemos avançar.

O que acontece muitas vezes é que os potenciais consumidores não querem assumir o compromisso de que vão aderir.

Que volume de vendas já atingiram com este projecto?

O volume de vendas na ordem dos 350 mil litros por mês o que é pouco e precisamos de ainda mais. Entretanto acreditamos que a partir do momento em que os três postos novos entrem em funcionamento estarão criadas as condições também para arrancarmos com uma grande campanha de massificaçao das conversões.

Que custos acarreta a conversão para o sistema de gás?

É possível converter um carro sem pagar nada. Desde que a pessoa assuma através de um contrato com a Autogás que vai durante um período determinado usar o gás. A pessoa escolhe o tipo de conversão que quer e está incluído no pacote de combustível que irá consumir.

Que expectativas tem em relação a nova fábrica de automóveis que surgiu no país?

Esperamos nos próximos 10 anos vir a alcançar um número na ordem dos 80 mil carros a circularem a gás. Significa que são oito mil carros por ano, se considerarmos que desses, quatro mil são convertidos, a outra metade é de carros novos.

Esse é um grande potencial para esta fábrica que fala de uma capacidade anual de 30 mil carros, se eles ficarem com 25% do bolo do mercado podem trabalhar para produzir mil ou dois mil carros a gás por ano para alimentar o mercado.

Caixinha

Volume de vendas da Autogás decresce 15%

Devido a uma grave avaria registada a 25 de Dezembro de 2012 que impossibilitou o abastecimento normal do combustível a Autogás teve uma quebra no volume dos seus negócios de 15%.

Segundo o director nacional da Auto-Gás, João das Neves, “estes prejuízos não são assinaláveis. Entretanto a situação já foi normalizada.

Não só de problemas vive a Autogás. Existe a nível da empresa uma preocupação em melhorar as condições de fornecimento do combustível. Nesse sentido foram ministrados dois cursos de aperfeiçoamento para os centros de conversão, no sentido de reforçar a capacidade da afinação das conversões.

De acordo com João das Neves, um dos problemas com que a empresa se debatia estava relacionado as conversões nos carros mais modernos, particularmente os de pequeno porte e de injecção electrónica em tudo funciona á nível comando electrónico. «Portanto é preciso programar a afinação com um computador. Os técnicos tinham alguns desafios em relação a esses carros. Neste momento o pessoal encontra-se capacitado em relação a essa matéria», afirmou.

Por outro lado, encontram-se prontos para operar mais dois centros de conversão que irão eventualmente descongestionar os já existentes.

«A nível dos pipelines, a ENH que é a concessionaria para construir o gasoduto dentro da cidade de Maputo, até Maracuene, já adjudicou o contrato de construção do pipeline o que indica que ou Outubro de 2013 os outros postos venham a ser ligados directamente ao pipeline, o que irá melhorar o sistema», revelou João das Neves.

De referir que a Autogás, actua até então na cidade e província de Maputo, e conta actualmente com um universo de 700 viaturas movidas a gás.

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This entry was posted on 9 de Julho de 2013 by in Uncategorized.

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