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Modelo de negócios inclusivos vira moda

Nos últimos tempos, e sempre que se fala em desenvolvimento sustentável invariavelmente se menciona o conceito de negócios inclusivos em Moçambique. Os negócios inclusivos mais não são do que iniciativas empresariais de negócio sustentável que, sem perderem o seu objectivo de lucro, contribuem para a redução da pobreza com a inclusão das comunidades de baixa renda na sua cadeia de produção de valor.

Helga Nunes (Maputo) in revista Africa 21

As comunidadesao serem integradas como parceiras e beneficiárias dos negócios inclusivos obtêm um certo número de vantagens. Se por um lado, se registam mais-valias em termos de emprego e de renda, através da venda dos produtos produzidos no seio comunitário, por outro, as comunidades podem adquirir uma participação no capital social das empresas investidoras.

O conjunto de vantagens pode influir directamente na qualidade de vida das populações comunitárias, uma vez que contribui para a melhoria da sua segurança alimentar e nutricional, assim como potencia um número mais alargado de projectos sociais financiados e recursos sócio-económicos para os agregados familiares.

Ao mesmo tempo, o Governo obtém um leque de vantagens com a implementação dos negócios inclusivos. Nesse domínio, a prática traduz-se na melhoria das relações encetadas com as comunidades; na maior consciência e conservação do meio-ambiente; no reforço dos negócios inter-empresas e entre as empresas e comunidades.

No que tange à perspectiva económica, os benefícios espelham-se na maior dinâmica dos negócios e, sobretudo, no emprego da força de trabalho local.

O que ganham as empresas?

Este modelo de negócios inovador torna-se particularmente interessante por conseguir motivar as empresas a trabalharem com as comunidades de baixa renda, e por conduzir as regiões ao crescimento sócio-económico mediante um ritmo de desenvolvimento sustentável. A perspectiva, aliás, é que surjam novas oportunidades de crescimento para todos, assim como o acesso a novos mercados.

Mas que benefícios os negócios inclusivos trazem às empresas? A melhoria do fornecimento de matérias-primas, com maiores garantias de qualidade; a promoção da inovação aliada aos negócios; o reforço das capacidades dos recursos humanos locais, e a abertura de perspectivas de novos produtos e mercados são apenas algumas das vantagens apontadas.

Nesse âmbito, espera-se que as empresas, sobretudo as de pequena e média envergadura (que constituem a maior fatia do tecido empresarial moçambicano) possam expandir as suas actividades de negócio com o reforço das comunidades locais.

Conselho de Negócios Inclusivos já foi lançado

Atenta a todas estas possibilidades, a Organização Holandesa de Desenvolvimento (SNV) em Moçambique, cujo compromisso passa por reduzir a pobreza e a desigualdade nos mercados, crê que o País pode vir a beneficiar através da promoção de modelos de negócio inclusivo, em parceria com o World Business Council for Sustainable Development. Como tal, e com o apoio da Fundação Ford, aquela organização concebeu um vasto inventário sobre as experiências dos negócios inclusivos no país.

O resultado do Mapeamento de Negócios Inclusivos em Moçambique assinalou um grande interesse por parte das grandes empresas em desenvolver parcerias com as PME’s e as comunidades, enquanto fornecedoras de produtos e serviços.

Daquele mapeamento extraíram-se as recomendações para um ambiente de negócios propício e para o estabelecimento de um Conselho de Negócios Inclusivos como forma de garantir o desenvolvimento e a coordenação das políticas pró-negócios inclusivos, das estratégias e do conhecimento.

Nesse sentido, o Conselho de Negócios Inclusivos (CNI) foi lançado a 18 de Dezembro e conta com o apadrinhamento de instituições públi­cas que são suas fundadoras como o Instituto para a Promoção de Pequenas e Médias Empresas (IPEME), o Centro de Promoção de Investimentos (CPI), a Confederação das Associações Económicas (CTA) e a Direcção Nacional de Promoção de Desenvolvimento Rural – DNPDR do Ministério da Administração Estatal.

Concurso «100 melhores PME’s» é um motor

Dada a necessidade de divulgar o conceito de Negó­cios Inclusivos e as suas boas práticas, o CNI está direc­tamente envolvido (através da SNV Moçambique) na concepção do concurso «100 Melhores PME’s», em parceria com o grupo SOICO, IPEME, BDO, o banco BCI, CPI, CTA e DNPDR.

A primeira edição do concurso premiou a serigrafia RJM Produções com o principal prémio do concurso «100 Melhores Pequenas e Médias Empresas de Moçambique 2012», no valor de um milhão de meticais, numa disputa que contou com a participação de 139 PME’s de todas as províncias.

Analogamente ao concurso, pretende-se disseminar o conceito dos Negócios Inclusivos a 28.478 PME’s através da comunicação social; estimular e promover as suas práticas e providenciar assistência técnica às melhores PME’s identificadas no âmbito do projecto. Os organizadores pretendem ainda que sejam melhorados os negócios de 4.698 PME’s, as condições de vida de 21.322 trabalhadores e de 149.254 agregados familiares.

Exemplos de empresas que aderiram ao modelo

Um pormenor interessante é que o conceito de Negócios inclusivos já não é novo em Moçambique. Existem algumas empresas que o têm vindo a implementar com sucesso, como a OLAM MOÇAMBIQUE, a Export Marketing, a Moçambique Orgânicos, a Mozambique Honey Company e a Piripiri Elefante Moçambique.

O que têm feito essas organizações? A OLAM Moçambique procura providenciar a melhoria do maneio agrícola na produção de amendoim. Por um lado, pretende incrementar a produtividade dos pequenos agricultores de Nampula, por outro, promove a utilização da fábrica de processamento de amendoim da OLAM em Nacala, ao passo que a Export Marketing faz a mesma coisa que a OLAM, mas no que toca à cultura do gergelim.

A empresa Moçambique Orgânicos (vencedora da categoria de Melhor PME Inclusiva 2012) dedica-se à produção agropecuária em Inhacoongo (Inhambane) e possui um programa de outgrowers, que consiste na assistência intensiva e na partilha de infraestruturas de rega com os pequenos produtores à volta.

Já a Mozambique Honey Company – empresa de produção de mel baseada em Manica – compra mel aos pequenos apicultores e presta assistência aos mesmos no que diz respeito ao maneio como forma de incrementar a produtividade e qualidade.

A Piripiri Elefante Moçambique (PPEM) encontra-se a interagir com os produtores de Marracuene (localidade próxima de Maputo), desde 2009. A PPEM é subsidiária da companhia Elephant Pepper e possui um contrato com a Nando’s (multinacional sul-africana de restauração e retalho de produtos de piripiri), que apoia financeiramente o projecto-piloto e garante a compra de todo o piripiri fornecido.

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This entry was posted on 5 de Fevereiro de 2013 by in Uncategorized.

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