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É tempo de energia sustentável

Com o elevado preço do carvão vegetal, está a ser criada uma enorme oportunidade de mercado para alternativas e soluções de cozinha eficientes. O mercado de carvão movimentou só na cidade de Maputo um valor próximo dos 45 milhões de dólares, em 2011. E estas cifras podem vir a atingir os 300 milhões de dólares.

Helga Nunes (texto) . Tânia Hirstova (fotos) . in África 21

Em Moçambique, 95% dos agregados familiares dependem da biomassa (lenha ou carvão) como fonte de energia diária para cozinhar e aquecer alimentos. Em 2011, as cidades que registam o maior ritmo de crescimento (Maputo, Beira e Nampula) consumiram oito milhões de sacos de carvão vegetal com 20 kg cada, fazendo disparar os preços, entre 2010 e 2012, na ordem dos 200%.

Embora a região norte ainda possua recursos de biomassa abundantes, capazes de satisfazer a procura durante os próximos 25 anos, a região sul, onde reside mais de 30% da população, encontra-se actualmente numa situação crítica. Nessa região é cada vez mais difícil aos agregados familiares sustentarem as suas necessidades em termos de energia de biomassa, sobretudo quando se trata das famílias de baixa renda.

As previsões para Moçambique deixam claro que, mesmo com um investimento real de 2 biliões de dólares até 2020, mais de 60% da população continuará a não ter acesso à rede de energia eléctrica, ficando desse modo refém da biomassa para satisfazer as suas necessidades energéticas.

Sabe-se que as condições de acessibilidade e de produção vêm-se tornando mais difíceis e mais caras, encarecendo também os preços ao consumidor final. Como tal, o investimento em fontes alternativas à biomassa é considerado estratégico no âmbito de uma política energética comprometida com os objetivos do PARPA – Plano de Ação para a Redução da Pobreza Absoluta.

Este cenário, que inclui igualmente a desflorestação, impõe soluções urgentes e alternativas à energia de biomassa, em particular nas zonas urbanas, onde o acesso à energia pode ser tanto escasso como caro.

Nesse sentido, dois organismos ligados às questões das energias renováveis, mais concretamente a SNV (Organização Holandesa de Desenvolvimento) e o FUNAE acreditam que a população moçambicana deverá ter a liberdade de aceder, escolher e usar os mais credíveis, convenientes e eficientes recursos energéticos para consumo doméstico e comercial.

Soluções energéticas sustentáveis conduzem a aliança estratégica

Em Moçambique, a procura de soluções sustentáveis para o sector da biomassa (carvão e lenha) e para o desenvolvimento de soluções energéticas alternativas está a evoluir, sobretudo devido ao impacto que o uso tradicional da biomassa representa na saúde, no ambiente, na educação, na nutrição e capacidade produtiva.

O Ministério da Energia, o Fundo Nacional para a Energia (FUNAE), o Fundo Nacional para o Desenvolvimento da Agricultura (FDA), a Cooperação Técnica Alemã (GIZ), o Programa Africano de Energias Limpas do Banco Mundial, a Comissão Europeia, a Embaixada da Noruega, as Nações Unidas e a SNV são alguns dos parceiros que pretendem a implementação de soluções de energia limpas e modernas, a longo prazo.

Como tal, e através de uma aliança estratégica entre o FUNAE, o Conselho Municipal da Cidade de Maputo, o GIZ e outros parceiros-chave, a SNV encontra-se concentrada em catalizar o desenvolvimento do mercado de alternativas viáveis de cozinha, promovendo novos negócios, criando oportunidades de rendimento e proporcionando a 260 mil famílias de baixa renda em Moçambique, até 2015, a liberdade de escolher e usar fontes de energias convenientes e limpas.

Sector privado pode introduzir alternativas ao carvão

Em 2011, foram consumidos três milhões de sacos de carvão em Maputo, movimentando um mercado de 70 milhões de dólares, e, entre 2010 e 2012, o preço disparou de 250 para 650 meticais (mais de 200%).

Este novo patamar de preços e de gasto para as famílias de baixa renda cria uma verdadeira oportunidade de mercado para o sector privado introduzir alternativas ao carvão, entre as quais se incluem os briquetes, os fogões de carvão eficientes, o gás e o ethanol.

A SNV encontra-se, actualmente, a trabalhar no desenvolvimento de micro-clusters de Fogões Eficientes de Carvão (FEC’s)na província de Maputo, fortalecendo a capacidade local de produzir e distribuir fogões com 40% de eficiência da modalidade Mbaula, assim como outros modelos para uso doméstico e comercial.

Mbaula é uma marca de fogão a carvão conhecida e bem sucedida no Quénia e na Tanzânia. E espera-se que, através das convenientes adaptações e de estratégias de Marketing orientadas para a Base da Pirâmide (BOP), a mesma venha a transformar-se numa alternativa viável de cozinha em Moçambique.

Nesse sentido, através de uma parceria entre o GIZ (Cooperação Alemã) e as associações Livaningo e Kulima, a SNV pretende vir a alavancar as suas actividades neste novo sector, promovendo o acesso a 20 mil fogões eficientes de carvão e beneficiando mais de 100 mil pessoas até 2015.

Uma alternativa possível cozinhando com o Ethanol

Por intermédio do estabelecimento de uma parceria estratégica com a companhia Clean Star, a SNV encontra-se a fazer uso do conhecimento local e da sua experiência em termos de desenvolvimento económico para promover no mercado soluções de cozinha a ethanol.

A cozinha a ethanol está a ser introduzida em Moçambique, com a marca “Ndzilo” (que significa “Chama” na língua local) e os resultados encontram-se prestes a tornar esta solução no que parece ser uma nova referência bem como uma alternativa viável para as famílias de baixa renda. Aliás, espera-se que mais de 30 mil mulheres venham a usar o ethanol nas suas cozinhas até 2015.

Juntamente com o Conselho Municipal da Cidade de Maputo, o ethanol da marca (Ndzilo) também irá ser promovido junto dos vendedores de cozinha nos mais de 40 mercados municipais, colaborando para a redução de consumo neste segmento, que tem o maior gasto de carvão per capita.

A todo o gás!

Junto com o Município de Maputo e através de uma parceria firmada com a GALP, a SNV irá levar a cabo uma estratégia de gás para a Base da Pirâmide (BOP) com o intuito de abranger os agregados familiares de baixa renda e os produtores informais de comida com gás natural.

Tendo os preços do carvão atingido mais de 30 dólares norte-americanos por cada saco de 65 kg, o gás transforma-se numa energia viável para cerca de 28 mil famílias na cidade de Maputo.

Hoje, a SNV, o Conselho Municipal da Cidade de Maputo e a GALP partilham com grande entusiasmo a ideia de transformar essas famílias em consumidoras de gás natural, e através dessa conquista poupar custos e tempo na cozinha.

O projecto em causa pretende apoiar a capacidade do sector privado em fornecer LPG com boa qualidade, a bom preço e por meio de uma rede de distribuição eficaz e adaptada ao BOP.

A título de curiosidade, e de acordo com um estudo realizado pela SNV, numa parceria com o FUNAE e o Conselho Municipal da Cidade de Maputo, 1.800 famílias no bairro da Mafalala (província de Maputo) já compreenderam que o gás é uma alternativa ideal para cozinhar. Neste bairro, 30% das famílias já combinam o carvão com o gás, e tudo indica que tal em breve venha a ser uma tendência.

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This entry was posted on 24 de Janeiro de 2013 by in Uncategorized.

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