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Portucel Moçambique prevê exportar 800 milhões de dólares por ano

O grupo português Portucel Soporcel que actua no fabrico de papel instalou-se no mercado moçambicano em 2009, com um projecto integrado de produção florestal, de energia e de pasta de papel, prevendo exportar cerca de 800 milhões de dólares por ano. Pedro Moura, administrador da Portucel Moçambique, fala do empreendimento, cujo compromisso é vir a contribuir para a valorização da floresta, fomentar o emprego local e o tecido empresarial, dinamizar a agricultura de rendimento, numa lógica de preservação ambiental e responsabilidade social.

A Portucel baseou-se em Moçambique em 2009. O que motivou a empresa a abraçar o mercado moçambicano?

A Portucel, na sua actividade de longos anos, vendendo os seus produtos num conjunto de países muito alargado, entendeu ser o momento de expandir e internacionalizar a sua produção. E olhou para várias geografias no sentido de poder desenvolver projectos de produção industrial fora do país. Olhamos para a América Latina e para África e Moçambique mostrou ser um país que tinha aptidões muito importantes, nomeadamente na produção florestal, por ter uma posição geoestratégica importante em relação aos mercados asiáticos, e pela forte afinidade cultural com Portugal. Nesse sentido, começamos a estudar o potencial para o projecto. Verificamos que haviam condições e apresentamos uma proposta de investimento ao Governo moçambicano. E para implementar esse projecto foi constituída a Portucel Moçambique, a 1 de Abril de 2009.

A partir de 2025 a Portucel pretende investir 2.3 biliões de euros nos seus projectos e criar 7.500 empregos em Moçambique. Qual é o actual grau de implementação deste projecto?

Até 2025, o total de investimento será de 2.3 biliões de dólares e prometemos criar 7.500 postos de trabalho directos. Estamos à vontade para, ao longo da implementação do projecto, virmos a atingir esse número e ultrapassá-lo.

Algumas populações residentes em Manica ficaram menos receptivas em relação à concessão de 220 mil hectares à Portucel para o projecto de produção de papel. Até que ponto já foi superada esta situação?

De facto, tivemos algumas hesitações em algumas comunidades. E o princípio que adoptámos é que sempre que houvesse hesitações nós não iríamos forçar e acabamos por encontrar áreas alternativas. Hoje, o assunto está resolvido. Houve um debate na província de Manica e obtivemos a respectiva aprovação pelo Conselho de Ministros em Dezembro do ano passado (2011). Portanto, está de facto ultrapassada essa dificuldade.

Além de Manica, quais são outras regiões em que estão instalados?

Temos um DUAT (Direito de Uso e Aproveitamento de Terra) para a província da Zambézia, no qual também estamos a trabalhar. Portanto, estamos em Manica com 183 mil hectares e na Zambézia com 173 mil hectares, e estamos a trabalhar de acordo com o plano do projecto. Agora, estamos na fase de instalação de ensaios para podermos testar o melhor material vegetal e assim podermos, quando tivermos a selecção feita, passar à fase da plantação industrial. Ao mesmo tempo, estamos a desenvolver alguns estudos na área da logística, porque não é possível partir para este investimento sem termos a garantia de que vamos poder escoar o produto de forma competitiva.

O Executivo moçambicano mostra-se a favor da criação de negócios que revelam um potencial de implementar uma cadeia de valores e mais postos de trabalho. Como é que se manifesta esta mais-valia nos negócios da Portucel?

O negócio da Portucel já pressupõe a instalação de uma cadeia de valores e esse é o grande efeito estruturante que este negócio tem para a economia nacional. E quando estamos a produzir pasta estamos a desenvolver, a incentivar uma cadeia de valor que começa com a produção da matéria-prima e que vai garantir a sua transformação num produto com a possibilidade de viajar muito melhor para mercados de destino, comparado com a madeira. Portanto, dá sustentabilidade à produção de madeira no país. Acrescenta-lhe esse valor.

O grande impulsionador de mão-de-obra é de facto a componente florestal. A parte industrial já nem tanto, porque a fábrica a ser instalada será uma fábrica moderna, de alta tecnologia, mas tem essa enorme vantagem que é a de fixar esta cadeia de valor e de ter um papel muito forte de estruturação da economia, consolidando os postos de trabalho a montante e naturalmente dotando o país de tecnologias de ponta, o que vai ser importante para o desenvolvimento de quadros.

Existe também a possibilidade de, a partir daí, se desenvolver outro tipo de negócios porque em torno de uma fábrica destas são múltiplas as pequenas e médias empresas que irão actuar nas áreas de manutenção no campo da electrónica, mecânica, engenharia civil, entre outros.

Qual é o destino da pasta de papel produzida?

O destino é o mercado asiático. Moçambique tem uma posição geoestratégica muito boa, e pode ser uma plataforma importante para negociar com os mercados asiáticos, fundamentalmente a China e a Índia.

Moçambique está a receber muitos megaprojectos, abrindo possibilidades de melhores negócios para fornecedores. Até que ponto a Portucel já assegurou alguma ligação rentável com os referidos megaprojectos?

Os megaprojectos de que ouvimos falar não têm interface com o projecto da Portucel, pois este é um projecto que começa por criar a matéria-prima, portanto ele não vai utilizar um recurso que o país tem, ele vem criar recursos. Como tal, viemos ajudar a desenvolver recursos no país que são transformados totalmente no interior do país e depois saem já com um valor acrescentado muito alto, daí a previsão no impacto das exportações do país de cerca de 800 milhões de dólares por ano. Se compararmos esse valor com aquilo que é hoje o nível das exportações do país, e se a fábrica estivesse a funcionar, estamos a falar de um crescimento que corresponderia a mais de 20% das exportações moçambicanas, na base do valor acrescentado interno.

A Portucel Moçambique aposta no mercado nórdico ou é suposto Portugal fornecer àquele mercado?

Temos na nossa produção papel e vendemos para 119 países, neste momento. Vendemos também a pasta de papel e os nossos clientes são fundamentalmente da Europa, ao passo que a produção aqui em Moçambique tem em vista os mercados asiáticos. Pode acontecer que alguma produção seja enviada para a Europa que é deficitária em produtos florestais, mas aqui o foco principal é o mercado asiático.

É um mercado muito concorrencial porque temos que competir com os brasileiros. Eles têm hoje uma posição competitiva fortíssima no que concerne à produção de pastas com base em eucalipto. Esse é um dos grandes desafios no projecto em Moçambique – sermos competitivos com os brasileiros.

A que fins é que se destina essa pasta?

A pasta tem um leque de aplicações muito grande. Desde o papel de impressão e de escrita ao papel para fins de higiene – como lenços, guardanapos, toalhas de papel – ao papel para fins de embalagem de sumos e leite, trata-se de um produto que pode ser misturado com outro tipo de fibras no sentido de fazer embalagens em cartão. Portanto, existe uma panóplia de aplicações muito alargada. A pasta tem essa multiplicidade de aplicações, e inclusivamente pode ser usada até em mobiliário.

O que esperam fazer nos primeiros cinco anos em termos de produção?

A capacidade está planeada entre um milhão e 1.5 milhões de toneladas por ano. O escoamento far-se-á através dos portos, e esta é uma questão que hoje nos preocupa seriamente. No caso de Manica, o porto adequado será o da Beira e teremos de garantir a capacidade a nível da linha e a nível do porto. No caso da Zambézia, estamos a estudar uma solução alternativa, porque a que possuímos obriga a operações logísticas muito caras e, eventualmente, podem condenar o projecto. Portanto, estamos a estudar alternativas, as quais pensamos apresentar em breve ao Governo para podermos verificar se há viabilidade.

Arsénia Sithoye/Helga Nunes [in revista Capital]

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This entry was posted on 22 de Agosto de 2012 by in Uncategorized.

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